Tendências da agricultura mundial e brasileira e desafios para 2050.
21/03/2016 Fonte: http://aba-agroecologia.org.br
Tendências da agricultura mundial e brasileira e desafios para 2050.

A demanda global de alimentos deve crescer 70% até meados do século devido ao crescimento da população para 10 bilhões de habitantes e ao desejável e esperado aumento do consumo dos cerca de um bilhão de famintos hoje existentes. A ONU prevê que, por esta data, a população mundial deverá estabilizar-se e deixar de pressionar a capacidade produtiva de alimentos do planeta. Por outro lado, a tendência dominante na mudança do perfil de consumo alimentar mundial aponta para o agravamento das manifestações de subnutrição específica (carências de vitaminas e sais minerais) que hoje afetam dois bilhões de pessoas e de sobrepeso e obesidade, que hoje afetam outro (às vezes os mesmos) bilhão.

No Brasil, apesar dos sucessos dos programas dos governos federais, ainda existem perto de 12 milhões de famintos, mas não se sabe a incidência dos casos de subnutrição específica e a porcentagem das pessoas com sobrepeso ultrapassa os 50%, com 15% de obesos.

O desafio, no mundo e no Brasil é a garantia de uma produção suficiente e diversificada para permitir uma mudança no perfil de consumo para que seja adotada uma dieta alimentar adequada. Será necessário educar a população para consumir mais frutas, legumes e hortaliças e assegurar a oferta destes alimentos na escala e preços adequados. Será necessário, até como política de saúde pública, reduzir o consumo de carnes vermelhas e produtos industrializados, de açúcar e de sal. Estas mudanças vão à contracorrente do modelo de consumo que vem se generalizando no mundo e no Brasil, marcado pela dieta do “fast food”, centrada no trigo e na carne de gado.

Atualmente considera-se que a produção mundial de alimentos é suficiente para disponibilizar uma nutrição adequada para todas as pessoas do mundo, mas existe uma distribuição desigual entre países e ente setores da população de cada país. A pobreza é o principal fator de fome e de subnutrição específica nos dias de hoje e as flutuações dos preços dos alimentos no mundo, devido a impactos climáticos, guerras ou aumento dos custos de produção tem efeitos imediatos no aumento da fome. Por outro lado, a crescente industrialização dos alimentos provoca perdas em escala pouco reconhecida, mas que atinge mais de 1/3 de tudo que é produzido pela agricultura.

Nas próximas décadas vai ser necessário aumentar a produção e a diversificação dos alimentos, diminuir as perdas entre a produção e o consumo e garantir preços acessíveis para todos de forma a que seja viabilizado o direito humano à alimentação proclamado pela ONU.


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